O estudo do comportamento hidrológico sob possíveis impactos das mudanças climáticas na Bacia do Tapajós é de grande importância uma vez que seu regime é de interesse não só à geração hidrelétrica, mas por sua função ecológica e influência no clima local, como sub-bacia do Amazonas. Neste estudo foram avaliados os impactos no regime hidrológico da bacia do Tapajós em função das projeções climatológicas até o final do século. Foi utilizado o Modelo de Grandes Bacias do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (MGB-INPE), modelo hidrológico que divide a bacia em células regulares. Inclui os processos de evapotranspiração, balanço hídrico do solo, escoamento subterrâneo e superficial, simulados ao passo diário. O MGB-INPE foi alimentado com dados meteorológicos observados para sua calibração, comparando a simulação com descargas observadas. Necessária a entrada de variáveis atmosféricas como precipitação, temperatura do ar e velocidade do vento, foram utilizados, para as projeções futuras, os dados gerados pelos Modelos de Circulação Global MIROC-5, CSIRO-Mk3, IPSL-CM5A-LR e HadGEM2-ES, e o downscaling dinâmico desenvolvido com o Modelo de Circulação Regional Eta-CPTEC. O modelo apresentou performance adequada na simulação histórica, alcançando índice Nash-Sutcliffe de ao menos 0,63. Todos os cenários projetam aumento da temperatura e diminuição da umidade relativa, mas há diferenças entre a precipitação esperada, sendo as projeções do modelo Eta mais extremas que a dos GCMs. A anomalia da vazão do Rio Tapajós mostra-se relacionada com a da precipitação, atingindo, no pior cenário, diminuição de 79% no final do século. Há uma importante variabilidade entre os experimentos com os diferentes modelos atmosféricos. Em geral, as projeções indicam anomalia de -46% da vazão média anual no período de 2071 a 2099, contra +17% resultante das projeções do GCM IPSL, e -55% da Q95, contra -92% resultante das projeções do cenário ETA40km high. A redução das vazões se apresenta de forma mais intensa que as anomalias de precipitação. Há indício de mudanças no regime hidrológico na bacia estudada, como o aumento da evapotranspiração, embora sejam recomendados posteriores estudos com considerações adicionais na entrada de dados, como possíveis mudanças no uso do solo.
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