Regiões de transição como a Amazônia e Cerrado são fundamentais para a compreensão da influência de variáveis ambientais na distribuição dos principais tipos de vegetação que compõem os diferentes biomas ao longo do tempo. O objetivo geral do trabalho foi analisar a dinâmica sazonal da vegetação por meio de dados de sensoriamento remoto, caracterizando os estratos de vegetação neste ecótono e sua relação com fator ambiental, tal como precipitação na região de transição Amazônia-Cerrado. Foram distribuídas 20 amostras, contendo 100 pixels cada uma, ao longo do ecótono Amazônia-Cerrado, dentro de unidades de conservação, onde através do índice de vegetação (EVI) do produto MOD13A2 (resolução espacial de 1Km) e da precipitação do produto 3B43 (TRMM), para o período de 2000 a 2013, foram analisadas a sazonalidade e dinâmica temporal da vegetação e precipitação. Com ajustes realizados no software TIMESAT para a série temporal, foram extraídas para as 20 amostras as métricas máximo, amplitude e integral-L, na qual através da métrica máximo do índice de vegetação, por meio de cálculos para definição dos limiares anuais, foi feita a estratificação da vegetação em três grupos. Foram realizadas também análises de correlações e de agrupamento entre os grupos. A vegetação e a precipitação nas 20 amostras apresentaram forte correlação entre os valores de máximo (0,86). Entre os três grupos, o valor da mediana da métrica amplitude, que indica o grau de sazonalidade, foi maior no grupo 1, com 1889,7, e oscilou pouco entre os grupos 2 e 3, com valores 1526,6 e 1543,8, respectivamente. A métrica integral-L, que mede o acumulado do índice de vegetação nos ciclos de crescimento, teve valores de medianas relativamente aproximados nos grupos 1 (86808) e 2 (83379,2), e no grupo 3 os valores mais baixos (57655,6). As anomalias interanuais entre os três grupos e métricas analisadas mostrou-se com alto grau de variabilidade, sendo que apenas alguns anos estiveram contidos dentro da faixa de variação normal (5% positivo e negativo). As análises de correlações entre as métricas analisadas (máximo, amplitude e integral-L) e entre os anos (ciclos de crescimento), indicam que os grupos são bem heterogêneos e que não apresentam uma relação linear entre as variáveis, onde foi observado que o grupo 3 teve uma correlação negativa significativa entre a amplitude e máximo, e uma correlação positiva significativa entre máximo e integral ao longo dos ciclos. De acordo com os resultados analisados no trabalho, a vegetação na região de transição Amazônia-Cerrado mostrou uma grande heterogeneidade (variabilidade) em sua composição.
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