Desde o século XVIII o Rio de Janeiro é afetado por eventos extremos de precipitação, os quais acarretam uma série de transtornos no espaço urbano, por meio de inundações e movimentos de massa. Dentre inúmeros eventos, o ocorrido no dia quatorze de fevereiro de 2018, possui características peculiares, uma vez que precipitou 51 mm em 1h. Dessa forma, objetivou-se, através da análise rítmica, compreender o evento de maneira dinâmica, dando atenção aos impactos causados na bacia do rio Piraquê-Cabuçu, no município do Rio de Janeiro. Para tal, foram levantados dados para a caracterização da gênese do fenômeno, buscando individualizar os tipos de tempo atmosféricos, através do acompanhamento de seus ritmos. Para a consecução do objetivo, no que tange ao arcabouço metodológico, o estudo recorreu a dados meteorológicos e maregráficos, imagens de satélite, radar meteorológico, cartas sinóticas, dados de reanálise e o Diagrama de Skew-T Log P, além de dados hemerográficos. Com tudo, muito provavelmente o episódio de inundação esteve associado à ocorrência de um evento de downburst, pois os dados corroboram a existência de uma amálgama de condicionantes meteorológicos característicos de tais processos: perda de sustentação e consequente movimento descente de uma parcela de cumulonimbus, o total pluviométrico concentrado e os elevados índices de instabilidade, como o valor de 1.198 J/kg para o índice CAPE. Dadas características genéticas do evento, além do alto grau de antropização da bacia, como consequência os impactos afetaram cerca de 50.000 pessoas e provocaram repercussões na área de estudo por, pelo menos, 7 dias.
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