O papel de cada componente do balanço de energia terrestre e sua correspondente influência no clima da Terra é a chave para entendermos o clima e sua variabilidade. Parte da energia proveniente do Sol, que é absorvida pelo planeta Terra, é depois reemitida em comprimentos de onda maiores. Essa radiação quando emitida pela atmosfera e nuvens em direção a superfície é conhecida como radiação de onda longa descendente. O trabalho tem como objetivo estimar a radiação de onda longa descendente utilizando redes neurais artificiais alimentadas por dados meteorológicos de superfície. Os dados utilizados serão de temperatura, umidade relativa, pressão e radiação de onda longa descendente, provenientes de uma das estações do Sistema de Organização Nacional de Dados Ambientais (SONDA), localizada em Brasília (DF). Como a radiação de onda longa descendente também sofre influência da nebulosidade no local, foram calculados parâmetros de nebulosidade, que também foram utilizados no treinamento da rede. Os parâmetros de nebulosidade considerados foram a razão entre a radiação global medida em superfície com a radiação no topo da atmosfera e a razão entre a radiação difusa medida em superfície com a radiação no topo da atmosfera, chamados, respectivamente, de Kt e Kd. O treinamento da rede foi feito de duas maneiras, a primeira utilizando somente o parâmetro Kt e a outra utilizando tanto Kd quanto Kt. Após o treinamento das redes neurais, os resultados foram divididos em duas categorias, uma para os meses de outubro a março (mais úmidos) e outra para os meses de abril a setembro (mais secos). Em ambas as redes neurais, tivemos melhores desempenhos para os meses mais secos com correlações de 0,97, utilizando Kd e de 0,93 sem sua utilização. Já para os meses mais úmidos, foram encontradas correlações de 0,80, utilizando Kd e de 0,70 sem a sua utilização. Pode-se observar uma grande influência da nebulosidade na estimativa da radiação de onda longa, sendo que nos meses mais úmidos e, em consquência, mais nebulosos, a estimativa teve resultados inferiores. Outro fator a ser destacado seria a inflûencia na qualidade da estimativa da nebulosidade, pois nos casos em que foram utilizados dois parâmetros de nebulosidade, ao invés de um, os resultados foram mais satisfatórios, indicando que quanto melhor a estimativa da nebulosidade, melhor será a qualidade dos resultados.
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