A malária, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a doença parasitária mais incidente do planeta, atingindo principalmente populações de regiões tropicais e subtropicais do planeta com baixo desenvolvimento socioeconômico. Este projeto de Iniciação Científica teve como principal objetivo realizar uma análise espaço-temporal sobre a evolução do número de casos de malária no Brasil, suas regiões, estados e munícipios, entre os anos de 2003 e 2016. Inicialmente foi feita a compilação dos dados referentes ao número de pessoas infectadas diariamente por malária, segundo seus municípios de residências do país, entre 01/01/2003 e 31/12/2016, fornecidos pelo Sistema de Informações de Vigilância Epidemiológica – SIVEP MALÁRIA do Ministério da Saúde, por meio do Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão (e-SIC). As informações coletadas foram organizadas em um banco de dados, que posteriormente contou com a inclusão das coordenadas geográficas dos municípios que tiveram a ocorrência dos casos da doença. Desse modo foi possível realizar a espacialização dos dados para a produção de mapas; a seleção de variáveis de consulta ao banco de dados espacial e síntese em tabelas para análises. Apurou-se que houveram 4.458.182 infecções por malária no Brasil entre os anos de 2003 e 2016. Durante este período a epidemia atingiu seu ápice em 2005 com 597.049 casos e após isto, começou a cair, tendo um pequeno aumento em 2010 (325.355 casos) e outro em 2016 (141.204). Observou-se que dos dados da série estudada, houve uma queda total de 64,79% em relação ao número de infectados por malária, tendo em vista que em 2003 foram registrados 401.058 casos e em 2016 foram apenas 141.204. Também foi observado que os estados da região Norte do Brasil, juntamente com o do Mato Grosso e do Maranhão, constituem a área mais afetada pela doença, com 99,99% do número total dos casos da epidemia no país. Constatou-se que Amazonas e Acre são os estados da região Norte com os maiores números de casos de 2013 a 2016. No entanto, enquanto o primeiro apresentou no período uma variação total de (-) 60,40% no número de infecções, o segundo cresceu na ordem de 228,01% desde o inicio do período estudado. Verificou-se que entre 2003 e 2016, os municípios acreanos com os maiores índices médios anuais de infecção por malária foram: Cruzeiro do Sul com 18.943 casos da doença, Mâncio Lima com 6.287 e Rodrigues Alves com 5.458, representando juntos 86,60% da epidemia registrada no Estado. Portanto, avaliou-se que, no Brasil de 2003 a 2016, houve uma tendência de decrescimento no número total de ocorrências da doença, apesar da elevação ao fim desse período. Na região Norte o número de casos também está em queda, sendo que o Acre é o único Estado a registrar um aumento expressivo nos casos de malária. Portanto, com a continuidade deste projeto, pretende-se identificar as variáveis ambientais e os aspectos socioeconômicos que influenciam a dinâmica da malária, indicadores fundamentais para um estudo da vulnerabilidade.
Redes Sociais