As turfeiras armazenam grande quantidade de carbono (C) e têm atuado como sumidouros de CO2 atmosférico, mas também podem se comportar como importantes fontes de Gases de Efeito Estufa (GEE) para a atmosfera (CO2, CH4 e N2O) quando submetidas a drenagem e mudança no seu uso alterando a cobertura da terra. Quantificar os estoques de carbono em turfeiras, bem como os parâmetros que regulam a dinâmica de C e também do nitrogênio (N) é essencial para subsidiar políticas públicas que visem a proteção desses ecossistemas. Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da mudança do uso e da cobertura da terra na dinâmica do carbono e nitrogênio em turfeiras na várzea do Rio Paraíba do Sul, considerando as coberturas da terra, bem como a análise temporal feita em cronossequência. Coleta de amostras de solo e de ar foram realizadas em 24 locais entre 2019 e 2020 nas estações secas e chuvosas bem como na transição entre elas. Os fluxos foram medidos utilizando-se câmaras estáticas de PVC com coletas de amostras em períodos de 30 minutos, em solos cobertos por florestas, pastagens e agricultura e em áreas >10 anos e <10 anos. Os resultados evidenciam solos orgânicos, altamente ácidos (pH <4,3) e de alta densidade 0,87 g/cm³), com teor de matéria orgânica por volta de 39%. Concentrações elevadas de macro e micronutrientes foram observadas na região, especialmente nitrogênio (média 0,47%), Fe (média 266,67 mg/kg) e Ca (média de 640,47mg/kg), associadas principalmente à deposição seca e ao manejo agrícola. Os resultados mostram fluxo médio de (1660,79 ± 1729,86) g m-2 ano-1 de CO2 , (0,30 ± 1,41) g m-2 ano-1 de CH4 e (0,45 ± 0,9) g m-2 ano-1 de N2O, não apresentando diferenças significativas entre as coberturas do solo nem mesmo nas cronossequências adotadas. Os resultados indicaram que, neste ecossistema, as emissões foram reguladas por características químicas e físicas do solo, principalmente a profundidade do nível freático que regulou os níveis de saturação do solo. Os fluxos de CO2 foram maiores quando o nível freático atingiu 1,5 metros de profundidade e menores quando atingiu a superfície do solo, favorecendo a emissão de CH4. O estoque de carbono acumulado nas camadas de 0-20cm variou entre 159,2 e 470,5 Mg C ha-1, totalizando 482 Tg de C e a decomposição da matéria orgânica do solo promoveu a perda média de carbono de 1164,63 GgCO2eq.ano-1 (variação entre -52,20 e 7458,21 GgCO2eq.ano-1) representando valores até 5,4% das emissões totais no estado de São Paulo, evidenciando que as turfeiras são fontes significativas de GEE e devem ser consideradas nos inventários regionais. Assim, fica evidente que aprofundar o entendimento da dinâmica do carbono e do nitrogênio, bem como dos parâmetros que regulam as emissões de GEE, nestes solos, são de extrema importância na conservação dos estoques de carbono na região.
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