Ao longo dos anos, a necessidade de impulsionar o desenvolvimento sustentável cresce continuamente. Entretanto, mesmo com a implantação de diversas medidas voltadas para a ampliação da eficiência de exploração e do acesso aos recursos, pesquisas apontam para a fragilidade do progresso alcançado. A análise de dados observados evidencia um aumento na ocorrência de eventos extremos, mudanças no padrão histórico de variáveis do clima, crescimento da demanda por bens e serviços, dentre outros processos que desencadeiam uma redução da confiabilidade dos sistemas de abastecimento dessas demandas, como água e energia. Esses conflitos tornam fundamental a adaptação da sociedade e das políticas públicas às novas condições do meio. Nesse contexto, a aplicação da abordagem integrativa do Nexo, considerando os eixos água, energia e alimentos, é vista como uma alternativa interessante para auxiliar na melhoria da eficiência de exploração desses recursos. No Brasil, a Bacia do Rio Paraíba do Sul, uma região fundamental para o desenvolvimento do país, tem sofrido com o aumento de conflitos associados à gestão dos recursos. Essa região já foi intensamente modificada pela ação antrópica e auxilia no abastecimento de água e na geração de energia das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, às quais não estão localizadas dentro dos limites desta bacia. Diante da significativa dependência dos recursos hídricos para garantia da segurança hídrica, energética e alimentar, além da necessidade de implantação de uma gestão integrada desses recursos na Bacia do Rio Paraíba do Sul, a tese aplica a abordagem Nexo, para analisar a condição futura de exploração dos recursos hídricos, considerando a influência de políticas públicas, as tendências de uso e ocupação do solo e as mudanças climáticas no horizonte de 2050. Nesse contexto, foram propostos indicadores que contemplam as metas propostas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que têm como objetivo a eliminação da fome e a promoção da agricultura sustentável (ODS 2), água potável e saneamento básico para todos (ODS 6) e a garantia de acesso à energia limpa (ODS 7). Dentre os resultados dessa análise, as projeções das vazões da bacia evidenciam uma tendência de aumento dos eventos extremos, principalmente de secas. A redução da disponibilidade hídrica impacta no aumento da frequência de falhas dos sistemas de abastecimento de água e geração de energia, principalmente nos cenários de maiores emissões das últimas décadas avaliadas. Em relação às taxas de acesso à coleta e tratamento de esgoto, a estagnação das taxas atuais desses serviços implicará uma redução da qualidade dos mananciais superficiais e, consequentemente, em uma limitação da disponibilidade hídrica. Em relação à aplicação de políticas de redução do uso da água, a atividade agrícola realizada na bacia não impacta significativamente nos indicadores avaliados. Por fim, a redução na quantidade de energia gerada nas hidrelétricas pode ser compensada pela expansão da geração fotovoltaica distribuída. Assim, é necessária a diversificação das políticas de gestão de recursos aplicadas na Bacia do Paraíba do Sul para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento nacional e a adaptação da população à tendência de redução da disponibilidade de recursos hídricos.
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