Este relatório apresenta a metodologia de coleta de dados e a descrição inicial dos resultados obtidos no trabalho de campo com comunidades de terra firme na região do Distrito Florestal Sustentável da BR-163, sudoeste do Pará. Realizado no período de 06 a 26 de setembro de 2013, esse trabalho complementa e reproduz parcialmente os levantamentos de campo realizados nas comunidades ribeirinhas do Tapajós e Arapiuns em 2009 e 2012, respectivamente. A área de estudo apresenta diferentes tipos de ocupação e contextos como a presença de Unidades de Conservação, Projetos de Assentamento, áreas de garimpo, de agricultura familiar, de pecuária e de produção de grãos. Três percursos foram percorridos: de Itaituba a Uruará pela Transamazônica; de Itaituba a Novo Progresso pela BR-163 e Transgarimpeira; e a região de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos. A partir de entrevistas com informantes chaves e questionários semiestruturados 55 comunidades foram inventariadas. Foram abordadas questões relacionadas às características sociodemográficas, infraestrutura, saúde e educação, uso da terra e uso de recursos florestais. Foram realizados descrições e registros fotográficos sobre a infraestrutura das localidades. As comunidades e sedes dos municípios foram também mapeadas com dados de sensoriamento remoto e caracterizadas quanto aos seus limites e organização espacial interna. Para avaliar o refinamento do TerraClass 2010, foram avaliados pontos em campo referentes à classe urbana, observando-se confusões da ordem de 2% no mapeamento e imprecisão no limite dos polígonos. Os resultados indicam diferenças das comunidades visitadas de acordo com o contexto geográfico e com o histórico de formação. De modo geral, as comunidades distantes das estradas principais e das sedes dos municípios apresentam infraestrutura e serviços mais precários do que as que estão próximas às cidades e estradas, e assim estabelecem uma relação de dependência mais forte com outros núcleos populacionais e cidades. O aumento da escolaridade e a procura por emprego são fatores que influenciam a mobilidade da população, bem como atividades de melhoria de infraestrutura como a construção de hidrelétricas, pavimentação da BR-163 e atividades mineração. As mudanças no uso da terra, como o plantio mecanizado de grãos e o avanço da pecuária no sul do estado, produzem efeitos nos regimes de terras, na economia e na mobilidade. A análise específica dos diferentes aspectos levantados no campo será realizada em pesquisas posteriores. Os resultados desse trabalho serão comparados com os dados obtidos para as comunidades ribeirinhas, contribuindo para o melhor entendimento das relações de conectividade das localidades e estudos das redes urbanas do sudoeste paraense.
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