Excessivas emissões de gases de efeito estufa (GEE) por consequência das atividades antrópicas são apontadas como as principais causas das atuais mudanças climáticas globais. Desde a publicação do Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC AR4, sigla para o inglês), em 2007, é cada vez mais notável a influência humana no Sistema Terrestre. O sexto relatório (AR6), publicado em 2021, afirma ser inequívoco que o aquecimento da atmosfera, do oceano e da superfície terrestre é fruto de influência antrópica. A nível global, mudança de uso da terra foi a fonte dominante de emissões anuais de dióxido de carbono (CO2) até o período de 1950. A partir desse período, a queima de combustíveis fósseis (como carvão, óleo e gás) para geração de energia passou a ser a fonte majoritária de emissão desse gás de efeito estufa (Global Carbon Project, 2021). Em 2016, quase três quartos das emissões globais de GEE foram provenientes do setor de energia (73,2%) e o restante, dos setores de agricultura e uso da terra (18,4%), da indústria (5,2%) e de resíduos (3,2%) (RITCHIE, 2020). Já a nível nacional, com a matriz de produção de energia primária composta por 48,4% de fontes renováveis e a participação dessas fontes na oferta interna de energia elétrica atingindo 84,8% em 2020 (EPE, 2021), o Brasil possui matrizes energética e elétrica diferenciadas em relação ao restante do mundo. Ainda assim, o setor de energia foi responsável por 21% das emissões totais de gases de efeito estufa no país no ano de 2019, e por 18% em 2020, de acordo com o relatório Análise das emissões brasileiras de gases de efeito estufa e suas implicações para as metas climáticas do Brasil 1970- 2020 (SEEG, 2021). Atualmente, os setores de mudança de uso da terra e agropecuária são a principal contribuição do país com a mudança do clima.
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