Este capítulo tem como objetivo apresentar os resultados das simulações de mudanças climáticas em escala reduzida (downscaling) geradas pelo modelo regional Eta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), avaliando as simulações do clima presente e analisando suas proje- ções até o final do século 21. Essas simulações foram geradas para subsidiar os estudos de vulnerabilidade em escala regional. O modelo Eta foi configurado na resolução de 20 km e 38 níveis verticais, sobre uma área que cobre a América do Sul, a América Central e os oceanos adjacentes. As simulações do modelo Eta foram forçadas pelas simulações dos modelos globais HadGEM2- -ES e MIROC5, nos cenários de emissão RCP4.5 e RCP8.5. As simulações do período de 1960 a 2005 empregaram concentrações de CO2 equivalente às do clima atual, enquanto que, a partir de 2006 até 2100, as concentrações corresponderam aos respectivos cenários de emissão. Uma breve descrição dos modelos e dos cenários utilizados foi apresentada. A avaliação das simulações do modelo Eta forçados pelos dados dos HadGEM2-ES e MIROC5 para o clima presente, 19611990, mostra boa capacidade das simulações em reproduzir a sazonalidade da temperatura e da chuva na América do Sul. O erro a ser destacado nas temperaturas é a subestimativa das simulações do clima presente, em todas as estações do ano, principalmente quando o modelo Eta é aninhado ao MIROC5. Superestimativa na temperatura do clima presente pode ser identificada na região norte da Argentina, da Bolívia e do Paraguai, principalmente em estações quentes do ano. Em relação às chuvas, em geral, no verão, as simulações subestimam as chuvas principalmente quando aninhado ao modelo HadGEM2-ES, enquanto que, no inverno e na primavera, as chuvas são superestimadas, principalmente no Sul e no litoral do Sudeste do Brasil. As projeções futuras até 2100, regionalizadas pelo modelo Eta, nos cenários RCP4.5 e RCP 8.5 mostram um clima mais quente em toda a América do Sul. Os máximos de aquecimento se localizam na região Centro-Oeste do Brasil em todas as estações do ano e, até o final do século, estendem-se para as regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país. No final do século, esses máximos de aquecimento podem variar entre 2° e 8°C. Com relação à precipitação, as projeções indicam clima mais seco no verão na maior parte do Brasil, com máximos de redução nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Essa redução é notada em todos os períodos futuros. Aumentos da precipitação são projetados no norte do Nordeste e no Sul. As simulações mostram também que, apesar das projeções de redução das chuvas no Sudeste, há aumento na frequência de eventos extremos de chuva.
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