As zonas costeiras de todo o planeta, por seu caráter de interação complexa entre processos atmosféricos, marinhos e terrestres, são normalmente as áreas mais afetadas pelas mudanças climáticas e seus efeitos. Diante do grande potencial para impactos ambientais decorrentes dessas mudanças climáticas em curso e suas projeções futuras (aumento na frequência, intensidade e magnitude de eventos extremos), é cada vez mais premente analisar como os indivíduos em diferentes espaços urbanos e situações socioeconômicas diversas estão expostos e são vulneráveis aos perigos e riscos em variados graus de intensidade. Neste contexto, é extremamente importante aprimorar e criar novas ferramentas que permitam avaliações detalhadas desses impactos e forneçam bases científicas para tomadores de decisão, implementação de políticas públicas e a gestão integrada da zona costeira. O desenvolvimento dessas ferramentas remete à abordagem inter e multidisciplinar, que pode ser construída por meio de indicadores que possibilitem facilitar mudanças na percepção, no entendimento, nas atitudes, nos valores e nas tomadas de decisão sobre os riscos climáticos locais, bem como nas estratégias de mitigação e adaptação a serem adotadas pelos gestores públicos, comunidades e organizações sociais. O Projeto METRÓPOLE (derivado do Fórum Belmont), desenvolvido em parceria entre Brasil, Estados Unidos (EUA) e Reino Unido (RU), foi concebido nesse contexto. A hipótese do projeto é de que a percepção e o entendimento do risco das mudanças climáticas podem ser mais bem assimilados quando produzidos com bases científicas integradas a um contexto social, político e cultural local co-participativo. Neste sentido, estão sendo elaboradas simulações computacionais (modelagens) de cenários futuros baseados em séries históricas de dados sobre oscilações do nível do mar, temperatura e frequência de eventos extremos (ressacas do mar e marés altas), além de projeções climáticas de alta resolução segundo os cenários propostos pelo IPCC. As modelagens incluem também diversos dados socioeconômicos na escala municipal e ferramentas de visualização espacial das projeções de elevação do nível do mar, risco econômico associado e vulnerabilidade de pessoas e bens, para cenários em 2025, 2050, 2075 e 2100. Os resultados e algumas ações adaptativas estão sendo submetidos às comunidades locais (Santos no Brasil, Broward County-Florida nos EUA e Selsey no RU), por meio da aplicação de questionários, em workshops com ampla participação dos diversos atores sociais envolvidos. A parceria estabelecida com as prefeituras municipais facilitará a internalização dos resultados e a implementação de novas políticas públicas e legislações ambientais mais adequadas, permitindo melhor gestão da zona costeira.
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