As diversas atividades realizadas pelo homem, como desmatamentos, recortes nos terrenos, aterros, vazamentos e lançamentos de água sobre as superfícies, entre outras interferências inadequadas, estabelecem novas interações com os fatores condicionantes naturais (geologia, geomorfologia, pedologia, hidrologia), interferindo assim no equilíbrio das vertentes e induzindo a deflagração de deslizamentos de terra. Neste sentido, o presente estudo tem por objetivo desenvolver e adaptar métodos de previsão de suscetibilidade aos deslizamentos de terra, com base em técnicas de modelagem matemática e computacional, que possibilite a inserção de fatores antrópicos associando-os aos fatores físico-naturais que condicionam a instabilização das encostas. Para isso, técnicas de modelagem de estabilidade de encostas associadas a uma abordagem socioeconômica, foram aplicadas no município de São José dos Campos, SP e em duas bacias hidrográficas situadas na Região Norte do município. Em um primeiro momento foi trabalhado em uma escala regional, abrangendo todo o limite municipal de São José dos Campos, onde foi gerado ao Índice de Vulnerabilidade Sociogeoambiental (IVSGeo) por meio de modelagem híbrida que integrou os resultados de suscetibilidade aos deslizamentos de terra com as características socioeconômicas do município. Em um segundo momento, foi trabalhado em escala de bacia, realizando um estudo de retroanálise na bacia do Córrego Bengalar, localizado na Região Norte de São José dos Campos, para analisar um conjunto de fatores naturais e antrópicos que pode ter influenciado a instabilidade das encostas e consequentemente a deflagração de 65 deslizamentos de terra. Para isso foram utilizados dois modelos determínisticos, FS FIORI e TRIGRS. Por último, foi utilizado o modelo GEO-SLOPE para o estudo da estabilidade em escala de detalhe (escala de vertente) e em modo bidimensional, de duas seções transversais (encostas) da bacia do Córrego Rancho Alegre, também localizada na Região Norte do município. Buscou-se avaliar o quanto as atividades antrópicas, nas suas mais variadas formas, podem alterar o FS e contribuir para a instabilização das encostas. De forma geral, os resultados obtidos nesta pesquisa demonstram que a estabilidade das encostas é condicionada por complexas relações e interações entre diversos fatores físicos naturais e o processo de uso e ocupação da terra acabar por influenciar na estabilidade das encostas naturais. Algumas ações antrópicas, como taludes de corte e vazamento de água, causam maior impacto no fator de segurança das encostas, sendo importante considerar esses elementos nos métodos de previsão de deslizamentos de terra, prinicpalmente nos modelos regionais.
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