Desde a década de 1990, tem sido observado um aumento na frequência e magnitude de eventos climáticos extremos e desastres como ondas de calor, secas, aumento do nível do mar, dentre outros, os quais têm se intensificado devido à mudança climática e afetado um contingente populacional cada vez maior ao redor do globo. Esse cenário se mostra especialmente crítico para os sistemas urbanos, pois estes conformam uma grande concentração de população, ativos e atividades econômicas que implicam maiores riscos associados aos diversos impactos das mudanças climáticas. A capacidade institucional e individual dos sistemas urbanos em lidar com o risco climático pode modular os impactos associados, quer sejam presentes ou futuros, e consequentemente a resiliência do sistema. Em parceria com o LADIS – Laboratório de Análises e Desenvolvimento de Indicadores para a Sustentabilidade – o projeto teve como objetivo desenvolver arcabouço metodológico para a avaliação da resiliência em sistemas socioecológicos urbanos brasileiros, a partir i) de uma revisão exploratória da literatura sobre resiliência e indicadores no contexto da mudança do clima e ii) da construção de uma base de dados capaz de embasar a operacionalização de um modelo conceitual a ser aplicado em área piloto. Para o primeiro objetivo, 24 artigos foram lidos na íntegra abordando tanto a parte conceitual quanto a utilização de indicadores de resiliência para contextos urbanos. Os principais termos foram contabilizados em um glossário, que revelou a resiliência urbana e a vulnerabilidade como os mais comuns, convergindo com a literatura. O primeiro se referia à capacidade do sistema urbano suportar um choque e retornar ao seu estado, adaptando-se, e o segundo, à capacidade das cidades lidarem com os perigos. A revisão também apontou cinco dimensões como importantes para mensurar a resiliência de áreas urbanas: ambiental/ecológica, econômica, governança e segurança/instituições, infraestrutura/ambiente construído e social. Para o segundo objetivo, cerca de 300 indicadores foram compilados em um banco de dados a partir da literatura. Destes, 143 foram assinalados com alta probabilidade de serem obtidos de forma idêntica ou similar ao observado na revisão, ainda que com algumas repetições entre eles. A partir do refinamento da disponibilidade desses indicadores, um banco de indicadores está sendo finalizado para permitir a avaliação da resiliência da área urbana piloto com base nas cinco dimensões observadas. A partir dos resultados, espera-se contribuir para a consolidação de um banco de dados de indicadores de resiliência adaptados à realidade brasileira, a ser albergado no LADIS, e compreender os fatores que incrementam ou reduzem a resiliência urbana em escala local.
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