Há pouca dúvida de que os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos aumentarão no futuro. No hemisfério norte foram projetadas alterações de até 35% na área de distribuição de algumas espécies de predadores no Pacífico Nordeste em 2100 em relação a 2001. Ao passo que no hemisfério sul, projeções indicam um deslocamento para o sul nos padrões de distribuição das espécies e consequente mudança na composição das comunidades de peixes marinhos na costa oeste da Austrália com a predominância de espécies tropicais, em uma região onde atualmente ocorrem tanto espécies tropicais quanto temperadas. A temperatura superficial do Oceano Atlântico Sudoeste elevou-se a uma taxa média de 0,02 ºC por ano no período de 1982-2006, sem que fossem observados padrões consistentes de aumento ou decréscimo na produtividade primária no mesmo período. A região experimentou um incremento maior da temperatura da superfície do oceano do que a média global de 0,01 ºC/ano, mas inferior a taxa média de 0,05 ºC/ano observada em áreas de rápido aquecimento como o Atlântico Norte e os Mares da China e do Japão. Contudo, projeções futuras das mudanças climáticas apontam para uma taxa média de aquecimento da temperatura da superfície do Oceano Atlântico Sudoeste de 0,06 ºC/ano e deslocamento para o sul em cerca de 1º de latitude da posição média da confluência entre as correntes do Brasil e das Malvinas até 2100. A atividade pesqueira na região é sensível às mudanças nas condições oceanográficas uma vez que dois terços das capturas comerciais de peixes demersais são de espécies migratórias temperadas e grandes peixes pelágicos são capturados pela pesca comercial ao longo da margem da Convergência Subtropical. No Atlântico Sudoeste, possíveis impactos das mudanças climáticas globais sobre a ictiofauna marinha e a atividade pesqueira não foram investigados. No entanto, as evidências dos efeitos das mudanças climáticas sobre a ictiofauna marinha em outras regiões, em especial deslocamentos na distribuição das espécies associadas a mudanças nas condições oceanográficas, despertam preocupações sobre a integridade futura das comunidades de peixes marinhos e dúvidas sobre as consequências na atividade pesqueira e na conservação dessas espécies. Nesta tese vou ajustar modelos de distribuição potencial de espécies representativas da ictiofauna marinha do Atlântico Sudoeste e projetar alterações futuras na disponibilidade desses recursos vivos, para entender como as mud.
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