A degradação da terra é largamente conhecida pelos impactos negativos ao meio ambiente, e se refere à perda da produtividade e complexidade biológica e econômica da terra, e quando presente em regiões subúmidas e secas, como na Caatinga, é denominada Desertificação. A ONU estabeleceu a meta 15.3 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 15, que espera que até 2030 a humanidade tenha combatido a desertificação, restaurado a terra e o solo, com um mundo neutro em termos de degradação do solo. Este trabalho tem como objetivo geral analisar espacialmente a degradação da terra nos biomas Cerrado e Caatinga, em conformidade com a meta 15.3 do ODS 15. No período de 2023 a 2024 foram realizados uma série de testes para aprimorar o indicador de degradação com foco na Caatinga, além de colaboração na geração de cenários de degradação para o projeto Nexus (INPE). Os indicadores e testes foram conduzidos utilizando o plugin Trends.Earth no QGIS 3.16, baseado na metodologia da UNCCD. O indicador foi gerado a partir de três subindicadores: produtividade da vegetação, carbono orgânico do solo (SOC) e uso e cobertura da terra. Para a Caatinga, os dados do subindicador de uso e cobertura foram obtidos do MapBiomas, utilizando uma transição de usos com viés ecológico e uma com viés produtivo-econômico. O subindicador SOC foi parametrizado com dados de cobertura da terra em um tempo final e com um dado de SOC inicial, também com dados do MapBiomas. Para a produtividade, foram utilizados dados de vegetação e evapotranspiração do sensor MODIS e precipitação do CHIRPS a depender da trajetória da produtividade escolhida. Foram realizados testes com quatro tipos de trajetórias: Water Use Efficiency, Radiation Use Efficiency, RESTREND (Residual Trend) e NDVI. O indicador final foi gerado aplicando a regra One Out All Out considerando os três subdindicadores citados, na qual um pixel é classificado como degradado se qualquer um dos três subindicadores indicar degradação. Se todos os subindicadores indicarem melhoria ou estabilidade, o pixel final será classificado como melhoria ou estável, respectivamente. Ao comparar diferentes indicadores de degradação, conforme as diferentes trajetórias de produtividade, com outros indicadores de degradação na literatura, constatou-se que o indicador final de degradação utilizando o RESTREND apresentou os resultados mais promissores. Em relação aos indicadores de degradação utilizando as duas matrizes de uso e cobertura (ecológica e produtivo-econômica), houve pouca diferença entre os resultados finais, pois constatou-se que o subindicador que mais influencia no indicador final de degradação é o de produtividade. Também foram exportadas as classes de cada subindicador para futuramente ser possível realizar combinações externas ao plugin do QGIS. Adicionalmente, o bolsista colaborou junto com membros do projeto Nexus e do laboratório Ladis na geração dos subindicadores de uso e cobertura e SOC para todo o Brasil na resolução de 10 km, para gerar cenários de degradação para o projeto Nexus. Espera-se que no próximo ano seja possível avançar na adaptação dos subindicadores fora do plugin Trends.Earth ou mesmo adaptá-lo para minimizar as limitações na geração do indicador e contribuir nos cenários do projeto Nexus junto com o Ladis.
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