A pesquisa de percepção ambiental dos moradores da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul trecho paulista – foi conduzida pelos pesquisadores populares e alunos do curso Cenários da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul a partir da Educação Ambiental, parte do Projeto Recursos hídricos na bacia do Paraíba do Sul: integrando aspectos naturais e antrópicos, Processo n° 2180/2017, ANA-CAPES, sob coordenação do CCST Centro do Ciência do Sistema Terrestre do INPE. A pesquisa tem por objetivo identificar como os moradores da região percebem questões conceituais relacionadas às temáticas ambientais nas escalas global e local, como se veem enquanto atores nos processos de governança, e se e como a crise hídrica da última década afetou sua rotina. Foram entrevistados 339 moradores da bacia (IC=95%; e 5% de margem de erro), considerando todos os municípios da bacia, a partir dos estratos da população, local de residência, faixa etária e gênero. Esta extensa pesquisa apresentou seis grupos de resultados: i) conceitos gerais sobre meio ambiente; ii) questões ambientais em escala global; iii) questões ambientais em escala local; iv) questão hídrica; v) a crise hídrica; vi) governança. Dentre os principais resultados, foi identificado que os moradores têm dificuldades em compreender o ambiente em sua complexidade e de maneira sistêmica; que a educação ambiental é prioritariamente vista como uma ferramenta vinculada ao ensino formal; que as ameaças globais que se destacaram foram relacionadas às questões urbanas, em especial a poluição urbana. Sobre a questão hídrica, grande parte dos moradores compreendem a relação entre as cidades e os corpos hídricos superficiais, e identificam o rio Paraíba do Sul como principal curso hídrico na região. No entanto, grande parte dos entrevistados desconhecem as estruturas de gestão das águas. Apenas 25% dos entrevistados conhecem os comitês de bacia; e grande parte acredita que o responsável pela gestão das águas são as empresas prestadoras de serviços de saneamento. Tendo em vista os resultados, recomenda-se que as ações de educação ambiental no território da bacia tenham um forte direcionamento político-institucional, no sentido de mobilizar e engajar a população, para que haja um reconhecimento da população como protagonista e agente transformador do seu meio.
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