A desertificação é um processo de degradação da terra que afeta as regiões áridas, semiáridas e subúmidas do mundo. A baixa precipitação e a concentração das chuvas em poucos meses do ano, associadas à dinâmica de uso da terra, favorecem os processos de perda de vegetação e de erosão hídrica e eólica, que são mecanismos causadores de desertificação. As pastagens das regiões áridas do Chile são fundamentais para a subsistência de pequenas comunidades agrícolas que tem parte de seu sustento baseado no pastoreio de cabras. Esta região apresenta sérios problemas associados à desertificação. O clima caracteriza-se por um regime de precipitações que se concentra em poucos meses, com longos períodos secos durante o ano, e com uma alta variabilidade climática interanual, associada principalmente ao fenômeno El Niño, Oscilação do Sul. Além disso, essa região tem sido historicamente sobre explorada por diferentes atividades humanas. Considerando que a desertificação é um processo complexo, que envolve critérios sociais e ambientais, além de ser bastante susceptível às mudanças no uso da terra e às mudanças climáticas, avaliações e critérios interdisciplinares são importantes para um melhor entendimento do problema, de modo a contribuir para melhorar os indicadores, determinar as zonas vulneráveis e auxiliar nos programas de combate à desertificação. O objetivo desta tese foi contribuir com o conhecimento de alguns mecanismos associados a fatores que influenciam os processos de desertificação nas pastagens de regiões áridas de Chile, bem como das possíveis mudanças nesses mecanismos a partir de projeções climáticas futuras. Para isso, investigou-se o impacto das variabilidades interanual e sazonal de variáveis climáticas na biomassa na região de Coquimbo e sua associação à degradação da terra na região, além de pesquisar possíveis mudanças futuras. As análises foram realizadas nos períodos 1980-1999 e 2000-2016 para o presente; e 2020-2044 e 2070-2094 sob cenários climáticos futuros. A produção de biomassa foi simulada utilizando o modelo SIMPRAD, com base em informações climáticas e fisiológicas da vegetação. Os dados meteorológicos utilizados foram obtidos a partir de observações do presente e de projeções climáticas futuras fornecidas por simulações do modelo regional RegCM4. Além disso, foram utilizados dados de NDVI para o período 2000-2016 e mapa de cobertura de solo. Para o presente, a distribuição anual da precipitação apresenta um comportamento bastante distinto entre os dois períodos avaliados, o que também altera a distribuição anual do total de biomassa fornecido pelo modelo SIMPRAD. No primeiro período, o acúmulo máximo de biomassa ocorre em julho, juntamente com o máximo de chuva. Já no segundo período, a biomassa começa a crescer mais cedo, levando a um alto acúmulo de biomassa em junho para em seguida apresentar um declínio em julho, provavelmente associado à queda de temperatura normal nessa época do ano, em conjunto com uma redução na chuva para este mês no segundo período de análise. Nas projeções futuras, os máximos de precipitação se mantêm em junho, mas a biomassa e o seu máximo acumulado são diferentes para os dois períodos futuros, provavelmente devido a mudanças na distribuição da precipitação anual e de outras variáveis como temperaturas médias e mínimas. Os resultados da aplicação do método RESTREND mostram grande parte da região com problemas de degradação, que seriam independentes das chuvas, principalmente do tipo antrópico, mas mudanças nas chuvas poderiam agravar os problemas de desertificação na região. Alterações no regime de chuva são importantes, não somente em termos de quantidade, mas também em relação a como esta quantidade se distribui no ano, afetando a produção de biomassa em localidades vulneráveis do ponto de vista tanto climático quanto socioeconômico. Por sua vez, mudanças na cobertura vegetal podem aumentar os processos de degradação nesta região.
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