O nitrogênio (N) é um elemento necessário para todos os seres vivos e desempenha papel crítico para a produção primária. Em decorrência das atividades antrópicas, têm ocorrido intensas mudanças na disponibilização desse nutriente e na sua ciclagem no ambiente a nível global. O N representa um elo comum para garantia de diversas metas previstas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, devido às múltiplas conexões existentes entre a produção de alimentos, fibras e energia para atender as crescentes demandas humanas, que deve ocorrer garantindo o equilíbrio ambiental e a sustentabilidade socioeconômica. A Bacia do Alto Paraguai (BAP) constitui uma área de conflito entre a expansão das atividades agropecuárias nas partes altas da bacia, e a conservação de ecossistemas a jusante que formam a planície do Pantanal Mato-grossense, importante área úmida e Patrimônio Nacional. Neste trabalho, são investigadas as relações entre a expansão e intensificação das atividades agropecuárias nos fluxos de N nas lavouras e pastagens, no período de 2001 a 2017. Os principais fluxos de N foram identificados e quantificados, sendo consideradas as entradas (deposição atmosférica, fixação biológica, adubação orgânica e fertilizantes sintéticos), saídas (produtos colhidos e produção de carne e leite) e perdas potenciais (emissões gasosas, lixiviação e erosão do solo). Na agricultura, as entradas de N foram estimadas em 197,6 kg N ha-1ano-1 em 2001 e 269,8 kg N ha-1ano-1 em 2017, um aumento de quase 40%. A fixação biológica representa a principal fonte de N para a bacia, contudo, tem ocorrido considerável aumento nas taxas de aplicação de fertilizantes sintéticos, contribuindo para o aumento da produtividade, principalmente do milho. Observou-se aumento na produtividade geral da agricultura, representada pelo aumento nas saídas de N através dos produtos colhidos, estimadas em 204,5 kg N ha-1ano-1 em 2001 e em 247,8 kg N ha- 1ano- 1 em 2017. As perdas potenciais de N nesses sistemas destacam-se pelo maior aumento registrado dos fluxos, superior a 70%, estimadas em 28,8 kg N ha-1ano-1 em 2001 e 45,6 kg N ha-1ano-1 em 2017. O balanço do N, estimado pela diferença entre as entradas e o somatório das saídas e perdas potenciais, mostra um déficit anual de cerca de 25,0 kg N ha- 1ano-1. Em relação a Eficiência do Uso de Nitrogênio (NUE), a persistência de valores próximos ou superiores a 1 durante todo o período indicam a suscetibilidade dos solos agrícolas à degradação pela reposição insuficiente do N removido. Em pastagens, as entradas médias foram estimadas em 38,2 kg N ha-1ano-1 durante todo o período. Observou-se o aumento em mais de 70% das saídas através da produção carne e leite, estimadas em 1,9 kg N ha- 1ano-1 em 2001 e 3,3 kg N ha-1ano-1 em 2017, evidenciando o ganho na produtividade desses sistemas. As perdas de N em pastagens são altas, estimadas em 13,0 kg N ha-1ano-1, em média. Valores positivos para o balanço durante todos os anos indicam o acúmulo de N, cerca de 9,3 kg N ha-1ano-1. A NUE nas pastagens é ainda muito baixa, não ultrapassando o valor de 0,2.
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