No Pantanal de Mato Grosso do Sul a pecuária bovina de corte tem por característica o deslocamento do gado, refletindo a sujeição da atividade ao ritmo das inundações naturais da região, que determina a oferta das pastagens e da área disponível para a ocupação. Eventos extremos de cheias e de secas recentes implicaram em prejuízos e no aumento de custos, como a suplementação alimentar, a venda compulsória e a morte dos bovinos por afogamento ou fome. Presumindo a sazonalidade das inundações uma condição para a movimentação dos rebanhos, este trabalho objetivou caracterizar o fluxo do gado dos municípios do Pantanal Sul Mato-Grossense, verificando sua interação com a cheia ocorrida em 2011. Foram utilizados dados hidrometeorológicos de diferentes pontos da Planície com o intuito de compreender a dinâmica espacial de inundação, e dados do trânsito mensal de bovinos, para construção da matriz de um grafo e representação em Sistema de Informações Geográficas. Índices anuais de conectividade e eficiência das redes de trânsito foram calculados e comparados. Os resultados revelaram um padrão intenso de fluxo, com variações intra Pantanal, entre Planície e Planalto e entre municípios. Para 2011, foi identificada a redução de fluxo em áreas ao sul, mais afetados pela inundação, como Porto Murtinho. Os resultados reforçaram o discurso de fluidez como estratégia adaptativa da pecuária bovina pantaneira, demonstraram uma dimensão dos efeitos do evento extremo de cheia, sobre a atividade, e endossam uma perspectiva de território descontínuo e em movimento da criação de gado no Pantanal, construído em forma de redes.
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