As observações realizadas por cientistas e comunidades locais indicam uma possível ligação entre o desmatamento na Amazônia e a produção de frutos e sementes. No entanto, essa relação ainda é pouco compreendida. Visando avaliar uma possível interconexão entre o desmatamento e os produtos florestais não-madeireiros na Amazônia, foram analisados dados de produção de matériaprima e a cobertura vegetal remanescente de 532 municípios da região. As espécies estudadas foram açaí (Euterpe spp.), andiroba (Carapa spp.), castanha (Bertholletia excelsa Bonpl.), cumaru (Dipteryx spp.) e cupuaçu (Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) K. Schum.). O teste de hipótese foi realizado com o Modelo Linear Misto Generalizado, o qual levou em conta a dependência espacial entre os municípios e a não normalidade dos dados. Dos 532 municípios analisados, 331 apresentaram atividades comerciais com os frutos e sementes dessas espécies, enquanto 55 apresentaram infraestrutura industrial para o processamento de matérias-primas, como polpas, óleos e sementes desidratadas. Os resultados indicaram uma relação significativa entre o desmatamento e a produção de frutos e sementes de açaí (p < 0,01), andiroba (p < 0,01), castanha (p < 0,01) e cumaru (p < 0,02). Os resultados sugerem que o aumento do desmatamento pode levar a uma redução na produção de matériaprima de importância econômica regional. Por outro lado, a produção de cupuaçu (p = 0,26) e a presença de fábricas de processamento de matéria-prima (p = 0,09) não mostraram relação significativa com o desmatamento. Os resultados sugerem que eliminar o desmatamento e recuperar a vegetação nativa é essencial para preservar a existência e a sustentabilidade dessas atividades econômicas na região amazônica
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