Modelos de biosfera terrestre são os componentes dos modelos climáticos que simulam a interação entre a biosfera e superfície dos continentes e a atmosfera. O objetivo geral deste trabalho é avaliar a sensibilidade dos biomas Amazônia e Cerrado à seca, através de simulações com a versão pontual do modelo de biosfera terrestre InLand/IBIS, o qual representa um modelo de quarta geração e integra a maioria dos processos superficiais relevantes para o sistema climático, contribuindo com informações sobre como a vegetação tropical utiliza e dimensiona as trocas de carbono em condições de seca no sistema solo-planta-atmosfera. Foram realizadas simulações na Amazônia, com as condições da torre do sítio experimental k83 (0303’01”S, 5456’W), localizado na Floresta Nacional do Tapajós. Simulações no Cerrado não foram possíveis de serem realizadas nesta etapa, devido à ausência de dados observacionais de entrada para o modelo. As simulações com o modelo InLand foram realizadas de forma que a simulação (1) utilizou a configuração default, ou seja, condição inicial do modelo, a simulação (2) alterando os parâmetros de distribuição de raízes (B2), simulação (3) alterando a capacidade máxima da enzima RuBisCo (Vmáx) e simulação (4) alterando a concentração de CO2. Vale ressaltar que as simulações foram realizadas considerando a vegetação dinâmica, no qual o índice de área foliar, altura dos tipos funcionais de plantas e outras características fenológicas da vegetação são determinadas dinamicamente em resposta às forçantes ambientais. Os resultados demonstram que a taxa do aumento do valor de Vmáx de 60 mol m-2s-1 para 120 mol m-2s-1, influenciou diretamente os valores de produtividade aumentando a fixação de carbono pelas plantas ao longo de todo período simulado, mesmo em meses de menor precipitação. Assim, é possível concluir que o modelo consegue aplicar um estresse à planta quando alterado o valor de Vmáx, e que este estresse pode ser manipulado através dos valores de Vmáx utilizado nas simulações. Também foi possível analisar que a produtividade primária bruta (GPP) e produtividade primária líquida (NPP) foram maiores quando se considerou uma atmosfera enriquecida com CO2. Desta forma, a representação da troca líquida (NEE) entre a atmosfera e as plantas apresentou-se como um sumidouro de carbono quando considerada CO2 = 700ppm e uma fonte de carbono para atmosfera quando considerada CO2= 300ppm. Em relação à alteração das raízes, quando considerada uma distribuição mais uniforme da raiz (B2=0.980), o estresse hídrico é maior em relação utilização (B2=0.999). Isto ocorre, pois quando utilizado B2=0.999, a maior parte das raízes está alocada nas camadas mais profundas, as quais justamente possuem maior quantidade de água, e contribuem para a manutenção da produtividade durante o período de menor precipitação. Desta forma, é possível concluir nesta primeira etapa que o parâmetro B2 é um dos parâmetros capazes de melhorar a representação dos fluxos de carbono na Amazônia.
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