O Brasil lidera o mercado mundial do café, com fatias da ordem de 30 a 40% de toda a produção. Quebras de safras significativas podem afetar tanto o mercado interno quanto o mercado externo. O grão se apresenta como um fator fixador de mão de obra no meio rural e sua cadeia produtiva gera mais de 8 milhões de empregos. O cafeeiro para ter uma boa produtividade necessita ter condições climáticas adequadas. Faixas ótimas de temperatura médias anuais para a espécie Coffea arabica L. (mais cultivada no Brasil e no mundo) ocorrem entre 18oC e 22oC. A suscetibilidade da cultura a grandes variações de temperatura do ar é preocupante quando se leva em conta às projeções climáticas divulgadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Alguns estudos realizados para o Brasil relataram que a cafeicultura brasileira seria impactada diretamente pelas mudanças climáticas, com reduções significativas da produção, causando consequentemente prejuízos financeiros e sociais. No entanto, tais estudos consideraram apenas os zoneamentos agroclimáticos das regiões produtoras. Frente à importância da cafeicultura no cenário socioeconômico brasileiro e dos prognósticos futuros de aumentos da temperatura do ar, a proposta desse estudo consiste da avaliação dos impactos das mudanças climáticas na produtividade cafeeira em diferentes cenários climáticos futuros. Para isso serão usadas simulações dos novos cenários climáticos do IPCC (AR5), geradas a partir de downscaling dinâmico do Modelo Regional Eta em alta resolução espacial (5 km). As saídas do Eta serão usadas no Modelo de Superfície INLAND para gerar a produtividade cafeeira futura em áreas do sudeste do Brasil. O INLAD integra a maioria dos processos da superfície terrestre, incluindo robustamente os efeitos físicos e fisiológicos do dossel, fenologia e ciclo de carbono terrestre.
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