Este trabalho teve como objetivo apresentar medidas de óxido nitroso (N2O) emitido em cultura de soja (Glycine max) com a utilização da bactéria Rizobium, a qual que tem o objetivo de fixar o nitrogênio da atmosfera para a planta, evitando que seja necessária a adubação nitrogenada. A técnica utilizada para o cultivo da soja foi à convencional. Essa leguminosa foi adotada para o experimento porque apresenta a propriedade de fixar o nitrogênio do ar através de bactérias que desenvolvem nódulos radiculares nas raízes e nutre a planta, processo conhecido como nitrificação. A importância do N2O deve-se à sua relação direta com o efeito estufa global e com a destruição do ozônio estratosférico. Entre as fontes antropogênicas tem-se o crescente aumento da emissão de N2O ocasionado pelas nitrogenação do solo em atividades agrícolas. O experimento foi realizado no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Taubaté (UNITAU) (23o01 S e 45o30 W) no período de 06/10/2009 à 22/04/2010 com um total de 10 campanhas de campo. Para determinar o fluxo do N2O foram usadas câmaras de acrílico transparente cobrindo 0,25m² de área, em plantas escolhidas aleatoriamente. No experimento foram utilizadas seringas de poliuretano (60 mL) adaptadas com válvula de segurança, que impediram trocas gasosas entre o meio externo e o interno das seringas. A coleta das amostras foi realizada em intervalos de 1, 10, 20, 30 e 40 minutos a partir da vedação da câmara. O óxido nitroso acumulado nas câmaras foi determinado usando-se a técnica de cromatografia gasosa, com utilização de um cromatógrafo Shimadzu GC14A equipado com detector de captura de elétrons (63Ni). A variação do fluxo obtida em todas as campanhas foi de -100,45 a 172,35 μgN2O m-2 h-1 e um fluxo médio de 11,4 μgN2O m-2 h-1. Durante o experimento foi realizado uma campanha noturna, e pode se observar que durante a noite houve uma absorção de N20 pela planta com o fluxo variando de -67,07 a 34,89 μg (N2O) m-2 h-1, apresentando uma média de -12,23 μgN2O m-2 h-1. Durante as campanhas foram observadas grandes variações no fluxo devido a altas precipitações nos meses de verão, uma vez que a emissão de N2O para a atmosfera está diretamente relacionada à saturação de umidade do solo. Os fluxos foram integrados durante todo o período de cultivo, resultando em uma emissão líquida de N2O de 2288,53 μgN2O m-². Portanto a soja durante o período diurno comportou-se como uma fonte emissora de N20 para a atmosfera. Os fluxos aqui apresentados estão dentro da faixa de valores obtidos por outros pesquisadores a partir de estudos em diferentes culturas e fertilizações. Essas estimativas ainda conservam grande incerteza, resultante das variações extremas de temperatura e níveis pluviométricos durante o cultivo da soja, porém indicam que o cultivo de soja utilizando o método convencional apresenta grande potencial para a emissão de N2O para a atmosfera.
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