As variações climáticas estão sendo estudadas e observadas em todo mundo e suas consequências mais severas comprometem a sustentabilidade do planeta. O aquecimento global, por exemplo, contribui para a diminuição e escassez de água para consumo humano, animal e para irrigação, além de intensificar os processos que comprometem a disponibilidade de terras férteis para a produção de alimento, como a desertificação. A região semiárida nordestina, bem como o Estado do Ceará, tem peculiaridades intrínsecas que corroboram com o desencadeamento do processo de desertificação. Esse processo é resultado da variação climática (incidência de secas mais frequentes e mais severas), das ações antrópicas desordenadas associadas aos fatores físicos locais. Tais aspectos contribuem para que a população local se torne, ou não, vulnerável às adversidades socioambientais que estão submetidas. Neste contexto, essa pesquisa tem como objetivos: 1) identificar os fatores que contribuem para o aumento ou redução da vulnerabilidade da população residente nos municípios cearenses e 2) entender como esses fatores interferem na vulnerabilidade da população que está triplamente exposta (desertificação, seca e pobreza), além de explicar como essa exposição é influenciada pelas políticas de gestão de risco. Para tanto, será desenvolvido um quadro socioambiental da vulnerabilidade obtido por meio de um índice que levará em consideração a exposição, a sensibilidade e a capacidade adaptativa da população. Após esse procedimento, será realizada uma avaliação político-institucional com intuito de investigar os aspectos políticos, institucionais e de políticas públicas que favorecem ou não o desenvolvimento da capacidade adaptativa da população em questão. Esta avaliação permitirá aprofundar os conhecimentos sobre a capacidade adaptativa da população cearense frente às adversidades relacionadas aos processos de desertificação, à pobreza e à seca. Permitirá, ainda, uma demonstração no tempo e no espaço de como as políticas públicas estão contribuindo (ou não) para a redução da vulnerabilidade da população local, além de listar alternativas de ações que complementem essas políticas já existentes.
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