O Pantanal é uma das maiores áreas úmidas do mundo. Em Mato Grosso do Sul, a planície inundável se destaca na produção de bezerros com aproveitamento dos campos nativos utilizados como pastagens e tem como característica de manejo o deslocamento dos rebanhos por entre terras baixas e áreas mais altas, ao ritmo do pulso das inundações anuais. O envio de bovinos para recria, engorda ou abate em outras localidades consolida uma pecuária sempre em movimento. Em termos intra regionais, tais lógicas territoriais dependem das condições de acesso e Circulação, sendo indissociadas ao ambiente, dada a oferta sazonal dos pastos e relevância do fluxo a pé dos rebanhos. Eventos hidrometeorológicos severos atuam como forçantes sobre o manejo e gestão da produção, podendo impactar em aumento de custos e prejuízos. O objetivo deste estudo foi apresentar a dinâmica do deslocamento bovino em Aquidauana e Corumbá, municípios com as maiores áreas de pantanais e produção do Pantanal Sul, considerando os eventos episódicos de seca em 2010 e cheia em 2014. Foram utilizados os registros mensais de trânsito bovino, de chuvas e de níveis dos rios correspondentes a cada localidade. Os resultados identificaram aumento dos deslocamentos em período de estiagem e de pré-enchente e diminuição nos meses da cheia; assim como fluxo intenso pontual em 2014, sugerindo situação de emergência. Isto endossa as estratégias adaptativas e a necessidade de ações que minimizem os impactos da variabilidade relacionada ao tempo e ao clima sobre a bovinocultura na região.
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