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Publicado em: 14-07-2017

Tenha menos filhos para conter mudança do clima, diz estudo



por REINALDO JOSÉ LOPES

Esqueça a reciclagem ou o uso de lâmpadas mais eficientes: se você deseja dar uma contribuição pessoal significativa para a luta contra as mudanças climáticas, o negócio é ter menos filhos, não andar de carro nem de avião e abolir a carne do cardápio.

A receita parece radical e, de certa maneira, a ideia era essa. Os pesquisadores Seth Wynes, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e Kimberly Nicholas, da Universidade Lund, na Suécia, costumavam ver com ceticismo os conselhos moderados a respeito das ações individuais que poderiam ajudar a humanidade a enfrentar o aquecimento global. Decidiram, então, colocar na balança as possíveis atitudes de cada cidadão em relação ao problema e ver quais teriam mais impacto real.

Os resultados foram publicados na revista científica “Environmental Research Letters”.

DESENVOLVIDOS

Para chegar às estimativas, Kimberly e Wynes compilaram informações de 39 estudos a respeito do impacto de ações individuais sobre o clima, realizados levando em conta a economia de países desenvolvidos. Essas nações são, em geral, as que mais produzem gases do aquecimento global per capita.

Os estudos analisados levam em conta a chamada análise de ciclo de vida, que considera o impacto de longo prazo de um produto ou serviço –quanto combustível um automóvel vai consumir durante os anos em que for usado, digamos, e quantas vezes será necessário trocar pneus ou peças do carro.

Tudo isso exige gastos de energia os quais, por sua vez, podem ser convertidos em um “preço” de emissões de gases-estufa e de impacto climático. Também é possível converter escolhas pessoais nessa moeda climática.

A partir dessa metodologia, os cálculos mostraram que ter um filho a menos (digamos, um casal que decide ter só dois filhos, em vez de três) reduziria as emissões per capita em quase 60 toneladas de gás carbônico por ano.

A segunda intervenção mais eficaz seria evitar o uso de automóveis (redução anual de 2,4 toneladas de gases-estufa), não fazer viagens de avião (redução de 1,6 tonelada) e evitar o consumo de carne (0,8 tonelada). Uma única família americana que decidir ter um filho a menos será capaz de evitar a mesma quantidade de emissões que quase 700 pessoas que passarem a reciclar todo o seu lixo.

Um dos grandes desafios na tentativa de evitar mudanças climáticas extremas é o fato de que a maioria dos habitantes dos países em desenvolvimento deseja um padrão de vida semelhante ao padrão de consumo intenso dos países ricos –incluindo coisas como carros maiores e consumo frequente de carne.

Para enfrentar o problema em ambas as partes do mundo, os pesquisadores defendem métodos mais claros de conscientização.

“Nós não vamos conseguir diminuir as emissões no ritmo necessário só com novas tecnologias menos poluentes. Se conseguirmos passar de maneira clara a mensagem sobre os métodos que funcionam, temos uma chance de modificar o comportamento das gerações mais novas”, diz Wynes.

(Foto da chamada: Reprodução/ Folha de S. Paulo)

* Publicado em: Folha de S. Paulo