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Publicado em: 06-03-2017

INPE recebe mais de 80 cientistas para painel do IPCC



SÃO JOSÉ DOS CAMPOS — Mais de 80 cientistas abriram nesta segunda-feira, em São José dos Campos, o primeiro encontro de autores do IPCC (sigla em inglês do Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas) para a produção de um relatório especial sobre os efeitos do aumento de 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais na temperatura global até 2100. Em 2015, os países se comprometeram a manter o aumento da temperatura média global em até 1,5 ºC.

O relatório será entregue em setembro de 2018 para os países signatários. Segundo Thelma Krug, vice-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a meta ambiciosa dos países forçou o meio científico a adotar o aumento de 1,5 ºC como meta.

— Para que o aquecimento global chegue a 2 ºC é um enorme esforço de mitigação global. Teríamos que iniciar muito rapidamente. Agora, os autores vão explorar trajetórias de aumento do clima para se chegar a apenas1,5 ºC — afirmou ela.

Assinado em 12 de dezembro de 2015, o Acordo de Paris foi firmado em outro contexto político. Eleito presidente dos Estados Unidos um ano depois, Donald Trump já chegou a afirmar em sua conta no Twitter que acreditava que o aquecimento global era um boato inventado pela China. Atualmente, no entanto, as mudanças climáticas são consenso no meio científico.

Os cientistas afirmaram ainda não estar preocupados com uma possível interferência no acordo firmado na França. Segundo Thelma, o presidente dos Estados Unidos já deu demonstrações de que pode moderar o discurso.

 

 

— É um ponto bastante sensível. Os Estados Unidos são os maiores contribuintes do IPCC, científica e financeiramente. Nós, dentro do IPCC, entendemos que não há um motivo forte e firme de uma mudança efetiva. Se ele não crer na pesquisa que seu país está desenvolvendo — ressaltou a vice-presidente do INPE.

Em contraponto aos países desenvolvidos, a vice-presidente do IPCC falou com orgulho do papel do Brasil contra o aquecimento global. Thelma Krug atribuiu o crescimento do desmatamento na Amazônia a questões econômicas causadas pelo conturbado período político que o país atravessa. Segundo Krug, o ajuste fiscal levou a uma queda no investimento em fiscalização na área. De acordo com a pesquisadora, no entanto, o Brasil estipulou metas ambiciosas já para 2030, ao contrário de países desenvolvidos.

O relatório especial produzido nesse e em outros encontros, será entregue em setembro de 2018 e fará parte de outros seis que serão feitos até 2022, quando termina o ciclo de pesquisa.

* Publicado em: globo.com