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Publicado em: 06-08-2018

Estudo calcula equação para o estoque de carbono das árvores do Cerrado



por Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia | IPAM

Uma rede de pesquisadores publicou essa semana um artigo científico na revista Plos One em que apresenta uma nova equação que permite cálculos mais assertivos sobre o estoque de biomassa das árvores do Cerrado. Essa equação contribui diretamente para entender melhor a dinâmica do carbono da vegetação no bioma. 

“Entre os fatores que contribuem para a incerteza associada às estimativas de carbono na vegetação e, por consequência, das emissões de gases de efeito estufa, estão a representatividade da amostragem e o modelo utilizado para as estimativas. Este estudo melhora substancialmente esses dois aspectos permitindo que o Brasil avance no entendimento do papel do Cerrado nas emissões nacionais e discute a relevância de sua conservação para a mitigação das mudanças climáticas”, afirma a coautora do artigo e professora da Universidade de Brasília (UnB), Mercedes Bustamante.

Para a pesquisadora do IPAM e coautora do artigo, Julia Shimbo, o estudo se destaca pela importância da colaboração científica voltada para o avanço do conhecimento. “O Cerrado é um bioma extenso e com variação. É importante ter uma equação regionalizada com dados específicos desse tipo de vegetação. Para conseguir isso é necessária uma rede ampla de pesquisadores. Este estudo reuniu instituições acadêmicas e não governamentais, como o IPAM, essa parceria é fundamental para evoluirmos na ciência. Além disso, o trabalho de campo é essencial. As coletas de cada parcela contribuíram para uma melhor representatividade do carbono no Cerrado.”

A equação foi elaborada a partir de dados, análises e estatísticas mais robustas servindo agora como referência para cientistas e estudantes. O estudo reuniu dados de campo de mais de 70 locais envolvendo diversos pesquisadores que trabalham com o Cerrado.

Para desenvolver a equação é preciso retirar árvores, secar, pesar e ver quanto de biomassa elas possuem. A partir disso, gera-se uma equação que faz uma relação entre a biomassa e as medidas das árvores, como altura e diâmetro.

“Nosso próximo passo agora para avançar nos estudos de carbono no Cerrado é elaborar um mapa de biomassa regionalizado, o que vai permitir ter melhores estimativas de emissões de gases de efeito estufa relacionadas à mudança de uso da terra”, diz Shimbo.

Para a pesquisadora e coautora do artigo Iris Roitman, o estudo representa o maior esforço, até hoje realizado, para organizar e analisar dados de levantamentos de campo em Cerrado típico. Além disso, é uma homenagem a dois pesquisadores do tema. “O artigo é um tributo aos professores George Eiten e Jeanine Felfili, ambos da Universidade de Brasília, cujos dados também foram utilizados nesse artigo. É uma honra para todos os autores poder seguir os passos desses dois grandes pesquisadores do Cerrado brasileiro e ver como suas contribuições, tanto na formação de recursos humanos – vários co-autores foram seus alunos – como na produção de conhecimento, ainda geram frutos importantes para a ciência e a conservação ambiental.”

(Foto da chamada: Reprodução/InfoEscola)

* Publicado em: IPAM