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Notícia

Dados do Inpe embasam ‘cruzada’ de especialistas contra aquecimento global

Embasados nas pesquisas do Inpe, especialistas cobraram providências para reduzir os efeitos da mudança climática durante seminário realizado no Congresso Nacional

Com base nos dados captados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), especialistas cobraram providências para reduzir as mudanças climáticas e combater os riscos causados pelo aquecimento global durante seminário promovido pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. Entre os anos de 1961 e 2017, o Brasil ficou de 3° a 4°C mais quente, segundo as pesquisas.

Durante o seminário, os especialistas utilizaram os dados do Prodes (Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite), realizado pelo Inpe, para comprovar a gravidade dos efeitos do desmatamento no aquecimento global, contrariando a afirmação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no Congresso Nacional.

Os dados mostram que o auge do desmatamento na Amazônia ocorreu em 2004, quando 28 mil km2 foram desmatados.Até 2012, houve queda foi gradativa chegando a 4.000 km2 de desmatamento.

“Mas vem subindo, quando alcançou 8.000 km2 desmatados em 2018”, informou o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP.

“Os riscos estão relacionados a água, energia e alimentos. Como dois grandes exemplos recentes são a seca de cinco anos do Nordeste do Brasil e a seca 2014 e 2015 no sudeste e também o excesso de chuva como as que aconteceram no Rio de Janeiro e São Paulo”, informou o pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe, Lincoln Alves.

“É fundamental que o Brasil mantenha o protagonismo que vinha tendo na agenda da mudança do clima, em particular medidas para redução do desmatamento e queimadas”, completou o pesquisador

O chefe da Divisão de Pesquisas do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) de São José, José Marengo, chama a atenção para o possível processo de desertificação da região do semiárido localizada no norte da Bahia. Segundo ele, as mudanças climáticas das últimas décadas provocam não apenas seca, mas chuvas.

De 1991 a 2012, houve quase 39 mil desastres naturais no Brasil. Pouco mais de 22% ocorreram entre 2010 e 2012, sendo os mais frequentes a estiagem e as enxurradas.

ALERTA

Os pesquisadores do Inpe, Thelma Krug, Jean Ometto, Luiz Aragão e Lúbia Vinhas, produziram documento técnico sobre questões climáticas globais. O objetivo é esclarecer que as evidências físicas são robustas e suficientes para atribuir a influência humana no clima global e,explicar como a ciência determina as causas das mudanças no planeta.

Para os cientistas, o ponto de discussão atual não é mais se as mudanças climáticas são causadas ou não pelos seres humanos, e sim que o clima está mudando e seus impactos atuais e futuros continuarão afetando a humanidade.

“O documento aborda as consequências de se negar a existência de um processo tão crítico. Também mostra que o combate ao aquecimento global não desvia atenções e recursos das emergências reais e, principalmente, que o Brasil possui todas as condições para demonstrar ao mundo que existem formas inovadoras e modernas de se desenvolver”, afirma a nota do Inpe.

Chanceler atribui o aumento da temperatura da Terra a asfalto quente

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, questionou, no Congresso Nacional, as evidências científicas de aumento da temperatura terrestre nos últimos 200 anos. Ao apontar supostos equívocos nas medições atuais, o chanceler afirmou ser “necessária uma discussão aberta e não ideológica desse tema”. “Não há um termostato que meça a temperatura global. Existem vários termostatos locais”, explicou Araújo.

O pesquisador Lincoln Alves avalia a declaração como. “Uma fala de quem desconhece e ignora todo o conhecimento da ciência climática. Por fim, não saber a diferença entre o que é um termômetro e um termostato”.

Fonte:https://www.ovale.com.br/_conteudo/_conteudo/nossa_regiao/2019/06/80300-dados-do-inpe-embasam–cruzada–de-especialistas-contra-aquecimento-global.html

Capa: Debate. Seminário da Comissão de Meio Ambiente da Câmara sobre mudanças climáticas

Foto: CARL DE SOUZA/AFP